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ERA DAS TRANSIÇÕES
PREFÁCIO
O prêmio da Paz, concedido pelas editoras alemãs,
não se limita, no meu entender, a honrar uma obra
acadêmica. Pretende, antes de tudo, marcar o papel
do intelectual. Tal fato encoraja-me a dar
continuidade à série Pequenos escritos políticos,
iniciada em 1969, com o livro intitulado. Movimento
de protesto e reforma da universidade. Este conjunto
de textos inclui ainda A nova intransparência,
publicado em 1985, e A normalidade de uma república
de Berlim, publicado em 1995.
O governo verde-vermelho ainda não conseguiu
completar a transição para a República de Berlim,
cuja normalidade ele tenta evocar, mesmo assim,
servindo-se de possantes alto-falantes! No entanto,
não se pode esquecer que uma mudança de mentalidade
jamais é conseqüência de uma simples proclamação.
Por seu turno, a União Européia entrou decididamente
num processo de transição, tendo como alvo uma
configuração política mais ampla e sólida. Porém,
não consegue concretizá-la.
Também são objetos de apreensão os ricos inerentes à
transição do clássico direito dos povos para o da
sociedade dos cidadãos cosmopolitas, pois ainda nos
encontramos muito distantes do estado de uma
política interna mundial sem governo mundial.
Todavia, o desenvolvimento econômico, que já emite
alguns sinais de arrefecimento, sugere que
atribuamos à nossa época o título de “era das
transições inconclusas”.
As entrevistas, participações, conferências e
recensões aqui reunidas surgiram durante os últimos
três anos. Espero que consigam preencher a função
que meu editor tinha em mente, quando me propôs
compor um “livro de leitura” que marcasse o
recebimento do Prêmio.
Starnberg, junho de 2001
Jürgen Habermas
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